Piratininga o que está rolando por aqui

O bairro

Dos loteamentos ao bairro de agora

Sexta, 11 de setembro

Até meados do século XX, Piratininga ainda era mais fazenda do que rua. A produção de açúcar, café e aguardente saía daqui rumo a Jurujuba. A pesca marcava o Tibau. O bairro de agora começa quando isso vira lote.

Os nove mil lotes

No começo dos anos 1950, a Companhia Geral de Empreendimentos contratou os antigos donos da Fazenda de Piratininga para desmembrar o imóvel. Foram uns nove mil lotes. O projeto aterrou trechos da margem da lagoa e abriu um canal permanente entre o mar e a laguna de Itaipu, para o barco chegar aos terrenos de dentro. O ecossistema da lagoa mudou ali.

Na década de 1960 os loteamentos se multiplicaram. Nos anos 1970, com a melhoria das vias e a vista da praia, da lagoa e da restinga, veio a ocupação de classe média. O areal longo, as pitangueiras e os coqueiros foram os primeiros a sair do caminho.

Quem mora aqui

Nos anos 1990 o IBGE contava uns 6.800 moradores. No Censo de 2010 já eram cerca de 16 mil. Estimativas mais recentes falam em mais de 20 mil — uma das concentrações da cidade. O crescimento foi rápido. Isso explica obra de esgoto, rua aberta, e o esforço de agora para tratar a água da lagoa.

Em 1986 o Cafubá foi desmembrado de Piratininga. Os limites ainda se confundem. Quem chega pelo túnel sente isso no Trevo.

O que ficou

A praia continua sendo a porta. A Tamandaré cola na areia. A Cruz Nunes corta o miolo. O Parque Orla devolveu a volta da lagoa a quem mora e a quem visita.

Não é mais fazenda. Também não é só loteamento. É o bairro que cresceu em volta da água — e ainda está aprendendo a conviver com ela.

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