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O bairro

O Clube da Esquina na Prainha

Sexta, 11 de setembro

O Clube da Esquina nasceu numa esquina de Belo Horizonte, no cruzamento da Divinópolis com a Paraisópolis, em Santa Tereza. O disco de 1972, não. Uma parte grande dele foi feita aqui, numa casa alugada na Prainha, no recanto que na época se chamava Mar Azul.

A casa no Mar Azul

Em 1971, Milton Nascimento já morava no Rio e chamou Lô Borges e Beto Guedes para trabalhar com ele. Alugaram um sobrado na encosta da Prainha, longe da cidade e da ditadura. Lô chamou Niterói de lugar paradisíaco.

Moraram ali alguns meses. Vinham o letrista niteroiense Ronaldo Bastos, o irmão de Lô, Márcio Borges, e Fernando Brant. Também passaram Wagner Tiso e Toninho Horta. Há foto de Milton com a mãe, Lilia, na areia da Prainha. Milton já disse que 90% do repertório do LP foi composto nessa casa.

O nome Mar Azul saiu do mapa. O que ficou é a Prainha: o canto mais calmo da praia, encostado na pedra, com a lagoa atrás.

O disco

O álbum duplo Clube da Esquina, creditado a Milton e Lô, saiu em março de 1972 pela EMI-Odeon. Vinte e uma faixas, mais de uma hora. Foi o quinto disco de estúdio de Milton e o primeiro de Lô. A gravação foi em novembro de 1971, entre Piratininga e o estúdio da Odeon, no Rio.

Não era banda. Era encontro. Além dos dois, o disco junta Beto Guedes, Toninho Horta, Wagner Tiso, Tavito, Nelson Angelo, Alaíde Costa e mais gente da turma.

Nasceu no Mar Azul, entre outras, Nuvem Cigana, de Lô e Ronaldo. No disco estão também Trem Azul, Cais, San Vicente, Paisagem da Janela, Um Girassol da Cor de seu Cabelo e Mar Azul.

O movimento é de Minas. O disco carrega o mar daqui.

Cinquenta anos depois

Em 2022 o álbum fez cinquenta anos. Lô voltou a Piratininga e abriu o Palco MarAzul, na praça do antigo Toboágua — hoje Praça Luiz Gomes da Silva, no começo da praia. A cidade deu a ele o título de Cidadão Niteroiense. Wagner Tiso e Toninho Horta também tocaram na série de shows.

O Festival Mar Azul nasceu dessa memória, por ideia do niteroiense Marcos Sabino. Alguém do Clube sobe no palco de cada edição. Em novembro de 2025, depois da morte de Lô, foi a vez de Beto Guedes, na mesma areia.

A casa não é ponto turístico. Não tem placa em cada esquina. Tem a praia, a lagoa e um disco que ainda toca. Quem quiser, anda na Prainha e escuta. O resto é história do bairro.

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