Piratininga o que está rolando por aqui

O bairro

Bichos da lagoa e da praia

Sábado, 12 de setembro

O Parque Orla não é só ciclovia. É viveiro. Quem anda devagar vê o que o asfalto da Tamandaré esconde: ave na água rasa, peixe no píer, às vezes um mamífero que veio de longe.

O jacaré-de-papo-amarelo já tem recado próprio. Este texto é o resto da fauna — o que o parque e a praia mostram sem inventário de zoológico.

Na lagoa

Os jardins filtrantes viraram bebedouro de garça. A Agência Brasil fotografou a garça-branca-pequena exatamente ali, no alagado construído. A bióloga Andrea Maia, no mesmo parque, explicou o porquê: o entorno da lagoa estava tomado de planta exótica, que não chama pássaro. O projeto troca por muda nativa para atrair avifauna e polinizador.

O consórcio do Parque Orla, citado no site oficial do PRO Sustentável, conta mais de 275 espécies de aves na Lagoa de Piratininga e nos arredores. A região de Niterói chega a cerca de 500 — um quarto das aves do Brasil — por causa da Mata Atlântica. Na lagoa o número sobe e desce com a estação.

Na frente do Centro EcoCultural Sueli Pontes há um ninhal. Quem chega perto do pôr do sol vê as aves voltando para dormir, numa algazarra que o próprio parque descreve como espetáculo. Do outro lado da água, na Rua Estrela e na Trilha Mirante da Lagoa, o alagado ficou sem asfalto de propósito: sítio de alimentação, reprodução e descanso de ave migratória. Também se vê capivara. O caminho é o lugar de olhar.

Na praia

A areia é outra conversa. Banho, onda, caniço. De vez em quando o Atlântico manda visita.

Em 26 de julho de 2025 um elefante-marinho-do-sul (*Mirounga leonina*) apareceu nas pedras de Piratininga. Jovem, três a quatro toneladas, vindo da Patagônia. A prefeitura isolou uns 40 metros. A Guarda Ambiental e a Econservation acompanhavam o animal desde Jaconé, em Maricá. Veterinário descreveu descanso, não encalhe de emergência. No inverno do Hemisfério Sul, jovens da espécie costumam surgir no litoral fluminense.

Nos dias seguintes o mesmo bicho passou por São Francisco e Icaraí. O recado não mudou: não se aproxima, não alimenta, não toca. Avistou, liga 153 — o CISP.

Como olhar

A lagoa é para ver. A praia é para entrar. Os dois pedem a mesma regra:

O parque ainda trata água. A lagoa ainda não é piscina. O que já voltou — ave, filhote de jacaré, o peixe do píer — cabe num passeio sem pressa.

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