Piratininga o que está rolando por aqui

O bairro

Alfredo Sirkis e o POP

Sexta, 11 de setembro

O nome no portão não é de pescador do Tibau nem de fazendeiro antigo. O Parque Orla Piratininga Alfredo Sirkis — o POP — fica na margem da lagoa, em volta de uma água que de cima lembra um coração.

O parque é público, sem ingresso. Leva o nome de um carioca que passou a vida falando de água, cidade e clima — e que morreu antes de ver o caminho pronto.

Quem foi Alfredo Sirkis

Alfredo Hélio Sirkis nasceu no Rio, em 8 de dezembro de 1950, filho de imigrantes judeus da Polônia. Foi jornalista, escritor, vereador, secretário e deputado. Um dos fundadores do Partido Verde. Autor de Os Carbonários, que ganhou o Jabuti em 1981.

Na juventude, foi da resistência à ditadura. Exilou-se no Chile, na Argentina e em Portugal. Voltou com a anistia, em 1979. Trabalhou em jornal e revista — Libération em Paris, depois Veja e IstoÉ.

Na política, o recorte foi o ambiente. Quatro mandatos de vereador no Rio. Secretário municipal de Meio Ambiente, de 1993 a 1996, e de Urbanismo, de 2001 a 2006. Deputado federal de 2011 a 2015. Em 1998, foi candidato a presidente pelo PV. No fim da vida, dirigia o Centro Brasil no Clima.

Morreu em 10 de julho de 2020, num acidente de carro no Arco Metropolitano, em Nova Iguaçu. Tinha 69 anos.

Por que o parque tem o nome dele

Sirkis não projetou o POP. Não morou no Tibau. A homenagem veio depois da morte, em 2021, quando a prefeitura de Niterói batizou o parque da orla da lagoa.

O motivo é o ofício, não o endereço. Ele passou décadas defendendo lagoa, ciclovia, parque e clima na Região Metropolitana. O POP tenta limpar a água e devolver a beira para quem mora aqui. O nome cola nisso.

A viúva, Ana Borelli, acompanhou as etapas. Esteve na entrega do primeiro trecho, em 2023, e na inauguração de 2024, com a família.

O que é o parque

O POP é o anel verde em volta da Lagoa de Piratininga. Quase 680 mil metros quadrados, contando as ilhas do Modesto, do Pontal e do Tibau. Faz parte do Programa Região Oceânica Sustentável, com financiamento do banco CAF. A prefeitura cita cerca de R$ 100 milhões.

A peça central não é o banco nem o deck. São os jardins filtrantes: plantação que trata a água da chuva e dos rios Cafubá, Arrozal e Jacaré antes de entrar na lagoa. Sem produto químico. A prefeitura chama isso de solução baseada na natureza — e diz que é o maior projeto desse tipo no país.

O resto é o que o bairro usa:

O primeiro trecho saiu em junho de 2023, do Recanto Carlos Boechat até os jardins do Cafubá. A Ilha do Tibau veio no mês seguinte. A entrega completa, com o EcoCultural, foi em 21 de setembro de 2024.

Antes, muita casa dava as costas para a lagoa. A beira servia de entulho. Agora o caminho está aberto.

Como ir

Tem várias entradas. Uma é a Avenida Doutor Raul de Oliveira Rodrigues. Outra é cruzar a Tamandaré, da praia para a lagoa. As linhas OC1, OC2 e OC3 deixam perto da parte já pronta.

O parque é de graça. A lagoa é viva. Tem pesca, tem bicho — inclusive jacaré tomando sol no jardim filtrante. Não é piscina. Não alimenta animal, não joga lixo.

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