O bairro
Alfredo Sirkis e o POP
O nome no portão não é de pescador do Tibau nem de fazendeiro antigo. O Parque Orla Piratininga Alfredo Sirkis — o POP — fica na margem da lagoa, em volta de uma água que de cima lembra um coração.
O parque é público, sem ingresso. Leva o nome de um carioca que passou a vida falando de água, cidade e clima — e que morreu antes de ver o caminho pronto.
Quem foi Alfredo Sirkis
Alfredo Hélio Sirkis nasceu no Rio, em 8 de dezembro de 1950, filho de imigrantes judeus da Polônia. Foi jornalista, escritor, vereador, secretário e deputado. Um dos fundadores do Partido Verde. Autor de Os Carbonários, que ganhou o Jabuti em 1981.
Na juventude, foi da resistência à ditadura. Exilou-se no Chile, na Argentina e em Portugal. Voltou com a anistia, em 1979. Trabalhou em jornal e revista — Libération em Paris, depois Veja e IstoÉ.
Na política, o recorte foi o ambiente. Quatro mandatos de vereador no Rio. Secretário municipal de Meio Ambiente, de 1993 a 1996, e de Urbanismo, de 2001 a 2006. Deputado federal de 2011 a 2015. Em 1998, foi candidato a presidente pelo PV. No fim da vida, dirigia o Centro Brasil no Clima.
Morreu em 10 de julho de 2020, num acidente de carro no Arco Metropolitano, em Nova Iguaçu. Tinha 69 anos.
Por que o parque tem o nome dele
Sirkis não projetou o POP. Não morou no Tibau. A homenagem veio depois da morte, em 2021, quando a prefeitura de Niterói batizou o parque da orla da lagoa.
O motivo é o ofício, não o endereço. Ele passou décadas defendendo lagoa, ciclovia, parque e clima na Região Metropolitana. O POP tenta limpar a água e devolver a beira para quem mora aqui. O nome cola nisso.
A viúva, Ana Borelli, acompanhou as etapas. Esteve na entrega do primeiro trecho, em 2023, e na inauguração de 2024, com a família.
O que é o parque
O POP é o anel verde em volta da Lagoa de Piratininga. Quase 680 mil metros quadrados, contando as ilhas do Modesto, do Pontal e do Tibau. Faz parte do Programa Região Oceânica Sustentável, com financiamento do banco CAF. A prefeitura cita cerca de R$ 100 milhões.
A peça central não é o banco nem o deck. São os jardins filtrantes: plantação que trata a água da chuva e dos rios Cafubá, Arrozal e Jacaré antes de entrar na lagoa. Sem produto químico. A prefeitura chama isso de solução baseada na natureza — e diz que é o maior projeto desse tipo no país.
O resto é o que o bairro usa:
- Ciclovia ligada ao resto da Região Oceânica.
- Píeres de pesca e de olhar.
- Praças e mirantes.
- O Centro EcoCultural Sueli Pontes, na Avenida Celso Kelly, 378: exposição, sombra, educação ambiental. Terça a domingo, das 10h às 18h.
- A Ilha do Tibau, com quadra, parquinho e o caminho de quem come peixe.
O primeiro trecho saiu em junho de 2023, do Recanto Carlos Boechat até os jardins do Cafubá. A Ilha do Tibau veio no mês seguinte. A entrega completa, com o EcoCultural, foi em 21 de setembro de 2024.
Antes, muita casa dava as costas para a lagoa. A beira servia de entulho. Agora o caminho está aberto.
Como ir
Tem várias entradas. Uma é a Avenida Doutor Raul de Oliveira Rodrigues. Outra é cruzar a Tamandaré, da praia para a lagoa. As linhas OC1, OC2 e OC3 deixam perto da parte já pronta.
O parque é de graça. A lagoa é viva. Tem pesca, tem bicho — inclusive jacaré tomando sol no jardim filtrante. Não é piscina. Não alimenta animal, não joga lixo.